Olá ciclistas, espero que esteja tudo bem com vocês 😊

Hoje vamos falar sobre mudanças eletrónicas. Isso mesmo. Cada vez mais está em voga trocarmos a transmissão da bicicleta para o sistema eletrónico.

No entanto, é importante que, caso vocês estejam a ponderar tomar essa decisão, a façam de uma forma consciente e informada. O meu objetivo aqui é ser o mais isento possível. Para isso, decidi trazer 3 vantagens e 3 desvantagens para vocês poderem avaliar os prós e os contras, para que depois possam decidir da forma que acharem melhor para vocês.

As tecnologias vão evoluindo e nós também vamos sempre ter tendência para acompanhar essas mudanças. E no seguimento dessa evolução, de há uns anos para cá começou a surgir a transmissão eletrónica, que são sistemas que vieram de facto trazer algo novo ao mercado das bicicletas, e tornaram as horas de treino de muitos praticantes mais confortáveis.

3 Vantagens do sistema eletrónico

MAIOR PRECISÃO

A primeira vantagem é maior precisão nas trocas de marcha, nas trocas de velocidade. Com este sistema nós conseguimos ter mais precisão nas trocas de marcha por 2 grandes motivos. Primeiro porque ao nível das manetes conseguimos fazer as trocas apenas com um simples clique ao contrário do que acontece no sistema de cabo e que nós temos que fazer o cabo ter mais tensão ou tirar tensão no cabo para fazer a corrente subir ou descer na cassete. O 2º motivo é porque este sistema faz correções automáticas da corrente quando esta começa a roçar nos carretos, algo que é bastante comum quando os cabos de transmissão começam a desafinar.

Nestes sistemas temos esta vantagem porque não existem cabos, mas sim eletrónica que dá um comando e automaticamente o motor que está colocado no desviador vai fazer a corrente subir ou descer a corrente conforme a nossa indicação.

Isto é bom é bom porque facilita o processo de trocas de marcha, não temos de perder tempo com afinações sucessivas, e não precisamos gastar tanta energia para dar tensão nos cabos.

Isto pode parecer uma vantagem do típico preguiçoso, mas é bom principalmente naqueles momentos em que está bastante frio ou chuva, os dedos começam a congelar e perdemos a sensibilidade. É nestas alturas que faz muito jeito ter um sistema que apenas funcione com uns cliques.

TRANSMISSÃO INTELIGENTE

Outra vantagem do sistema é o sistema de transmissão inteligente Synchro Shifting ou seja a troca de marchas poder ser combinada entre o desviador de atrás e o desviador da frente.

Acontece muito quando nós estamos fazer uma transição na pedaleira, do prato grande para o pequeno (da coroa grande para a pequena) ou vice-versa, temos uma necessidade de corrigir na cassete essa troca, devido à grande amplitude dessas mesmas trocas. Daí que surge muitas vezes a necessidade de muito muito grande tensão muito grande e nós vamos corrigir.

Com este sistema integrado, eu consigo personalizar essas transições de corrente, de forma a que o sistema faça isso de forma automática sem eu ter de fazer nada. Claro que nem sempre precisamos disso ativado pois cada caso é um caso. Mas é uma opções que simplifica este processo.

Assim, ao darmos um comando para subir a corrente para o prato grande da pedaleira (coroa grande) automaticamente o sistema vai subir também a corrente na cassete para o Gap ser menor. O mesmo acontece no processo inverso.

Todo este processo é configurável através da aplicação

CONECTIVIDADE

Pegando na última frase da vantagem anterior, sobre a aplicação, esta é outra das grandes vantagens do aparelho. Através de protocolos Bluetooth, ant+ e wi-fi, eu consigo não só emparelhar o sistema com o meu dispositivo de treino (Garmin, Wahoo, etc), como também tenho uma app própria onde consigo configurar o sistema, ver a capacidade da bateria, personalizar o Synchro Shifting, entre outras funcionalidades, como atualizar o software. No entanto, sobre este último ponto vamos falar mais à frente.

No entanto nem tudo são rosas… Também existem desvantagens deste tipo de tecnologia. Como nada nesta vida é perfeito, decidi enunciar aqui também algumas desvantagens.

3 Desvantagens do sistema eletrónico

DIFÍCIL REPARAÇÃO PARA O UTILIZADOR COMUM

Uma das primeiras desvantagens que logo saltam à vista é a da dificuldade que temos em repararmos nós mesmos os problemas que surgirem na transmissão eletrónica. Nós ciclistas, muitas vezes gostamos de ser nós a fazer as pequenas reparações, e só recorremos ao mecânico quando são mesmo reparações um pouco mais difíceis. Ainda assim, com algumas dicas qualquer ciclista lhe apanha o jeito facilmente.

E tal como aconteceu com a revolução na indústria Automóvel, onde antigamente eu tinha carros com pouca ou nenhuma eletrónica e bastante fiáveis, com baixos custos de reparação, de repente estes carros novos vêm todos cheios de eletrónica, começam a acender luzes por todo lado a dar sinais de erro, e quando eu preciso de uma reparação eletrónica tenho que enviar para o departamento específico pois o mecânico comum não tem habilitações e conhecimentos suficientes para lidar com essa parte.

Aqui na bicicleta temos um bocadinho esse problema. Por exemplo, numa transmissão de cabos, se uma mudança desafinar ou se um cabo rebentar eu consigo facilmente resolver em casa com alguma habilidade de ferramentas, basta comprar um cabo novo e troco. E não preciso de gastar muito dinheiro só me preocupo em comprar a peça e troco-a, ou mesmo que leve a um mecânico essa troca nunca é nenhuma exorbitância.

Já no eletrónico não acontece isso. Se houver algum problema que à partida não consigo perceber exactamente o que aconteceu, e em termos mecânicos tudo está ok, eu tenho que levar a bike para para um mecânico que tenha formação e saiba trabalhar com os sistemas eletrónicos. E nestes casos muitas vezes as reparações e as peças ficam muito mais caras do que o sistema tradicional.

CUSTO DO MATERIAL

Um grupo de transmissão eletrónico pode custar entre os 1500€ e 2000€, podendo até ser mais caro. Numa perspectiva da razão entre custo vs benefícios temos de ponderar bem ao fazer esta escolha, porque como já mencionei no ponto anterior, a este valor elevado de aquisição, temos de somar os valores maiores de manutenção associados.

Por exemplo, se vocês forem um utilizador como eu, que não faz competição, pode não fazer muito sentido esse investimento. Porquê? Por que ando poucas vezes e faço poucos km, e embora goste de conforto na bicicleta, tenho de pensar bem antes de investir tanto dinheiro, pois pode ser apenas um luxo.

E para uma pessoa que gosta de manter a mesma bike por muitos anos, e com tão poucos km percorridos por ano, acabo por não explorar verdadeiramente todo o potencial do material, e corro ainda o risco de ele ficar desactualizado facilmente ano após ano, e precisar depois de trocar determinadas peças e ter dificuldades de compatibilidade, além também das dificuldades com as atualizações de software.

Por outro lado, se eu fosse um ciclista de competição, onde os detalhes da performance contam, onde a precisão é muito importante, além de ter mais conforto durante as provas, então sim faz mais sentido. Até porque trocamos de bicicleta com mais frequência, ou até temos patrocinadores (em alguns casos) que nos podem dar essas condições. E claro que tudo isso conta na hora da decisão.

Ou seja: não é pelo material ser mais caro que é necessariamente indicado para todos os utilizadores. Ainda assim, há quem tenha possibilidades e não se importe de se dar a esse luxo. Se esse for o caso, certamente ficarás feliz com a compra e não vais chorar o dinheiro. 😊

SENSIBILIDADE E COMPATIBILIDADE DAS PEÇAS

Outra das desvantagens é que este material é muito sensível, principalmente ao muito calor, muito frio, muito sensível à água, interferências magnéticas, e também é susceptível a quedas, particularmente o desviador (cambio) traseiro.

Com um material tão delicado em mãos, eu facilmente tenho de que trocar uma peça, e muitas das vezes com a desactualização dos produtos pode ser difícil encontrar certas compatibilidades. Muitas vezes por atualizações dos componentes tenho que trocar o mecanismo quase todo, então é muito complicado eu estar a manusear algo que é realmente muito delicado e foi feito para trazer máxima performance em pouco tempo.

E não é por acaso que muitos dos ciclistas do top-10 do Tour de France e das grandes voltas, nos principais dias de alta montanha, naquelas etapas mesmo decisivas, eles preferem o sistema manual por cabos. Não confiam ainda a 100% no Sistema eletrónico.

Porquê? Porque preferem algo que lhes transmita segurança e fiabilidade. Que não corra o risco de sofrer interferências magnéticas ou possa ser difícil de ter reparações rápidas. Porque sabem que no momento decisivo em que o carro de apoio não está diretamente ali atrás para os ajudar, eles precisam de um sistema universal que seja compatível com qualquer carro de apoio neutro, e que seja de rápida reparação.

Neste sentido, o sistema de cabos continua ainda, a meu ver, a ser mais fiável no longo prazo. Porque facilmente eu tiro uma peça e substituo-a por outra, mesmo que ela não seja daquela gama, ou até é compatível com uma de marca diferente, e até com versões de anos anteriores. Além de que e eu consigo na maioria das vezes com ferramentas próprias fazer a maioria da manutenção que é preciso para esse tipo de instrumento.

Conclusão

Espero que este artigo tenha sido útil para vocês, e que tenham elementos suficientes que vos ajudem a decidir com mais conhecimento e de uma forma imparcial, sem se precipitarem com uma compra por impulso. Eu ainda sou um pouco conservador nesse aspeto, admito. Para investimentos avultados, preciso de tomar decisões com base em análises mais ponderadas dos prós e dos contras antes de decidir.

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Um abraço e continuação de bons treinos 🙂